Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




IMG_20210609_224940_936.jpg

 

Então, adivinhem como foi a minha primeira experiência utilizando as minhas caixas de alimentos, na charcutaria e take-away do Continente:

 

  • 1/3 das funcionárias: simpática e entusiasmada com a iniciativa e muito perspicaz sobre como a implementar (até se lembrou de colocar a etiqueta no fundo da caixa, para não ter de virar a caixa do frango)
  • 2/3 das funcionárias não sabiam do que eu estava a falar (apesar de estar um cartão com publicidade à iniciativa no balcão onde uma estava a atender)
  • 1/3 das funcionárias tentou convencer-me que tinha de comprar as caixas do CNT (depois de assumir que desconhecia a promoção)
  • 1 responsável a tentar convencer-me que só começava em 1 de Julho
  • 1 responsável a negar que estava informação na charcutaria, nomeadamente o cartaz em cima do balcão de atendimento + uma zona de vendas das caixas de alimentos com alusão à iniciativa (afirmando que estava lá, à funcionária da caixa)
  • 0% desconto por ter levado as minhas caixas (deveriam ter aplicado 10%)
  • apesar da dificuldade no acerto da tara, o peso estava correcto
  • as etiquetas são um pesadelo para limpar

 

4 caixas utilizadas - 0% de desconto* - uma experiência cansativa e desagradável

 

Em suma, continua a cair sobre os consumidores, o encargo de lutar pela implementação de campanhas de sustentabilidade que as marcas anunciam como suas bandeiras.

Na prática, não é mais que greenwashing e outra forma de vender novos produtos (nomeadamente as caixas de alimentos).

 

Mas irei voltar a utilizar as minhas embalagens? Concerteza. Sempre.

Mas o fiambre continuo a comprar na padaria, até porque é mais barato e chateio-me menos.


20 comentários

Imagem de perfil

De Crónicas de um café mal tirado a 10.06.2021 às 11:35

Desconhecia esta iniciativa, obrigada pela partilha.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 14.06.2021 às 17:05

Pois, o "elefante na sala" destas coisas muito bonitas e virtuosas é que os políticos só lhes prestam atenção como veículo para futura imposição de taxas, como a muito conhecida e infame "taxa de televisão".
Preparem-se.
"Taxas verdes", "taxas climáticas", "taxas solidárias"... de todas as formas, o custo é sempre para recair na população em geral.
Imagem de perfil

De Descontos a 14.06.2021 às 17:20

O custo, com taxa ou sem taxa, cabe sempre sobre o consumidor.
Não pense que os sacos gratuitos não somos nós que os pagamos.

Temos de reduzir. Não há alternativa. Simplesmente não há. Temos de reduzir o lixo, o consumo, o desperdício.
Imagem de perfil

De Inês Reis a 14.06.2021 às 17:55

Exatamente, não há alternativa. Temos de ir tentando, dentro daquilo que nos é permitido.
Sem imagem de perfil

De M a 14.06.2021 às 23:03

E procurar materiais para embalagens que não sejam de plástico. Mas isso exige investimento. E esses materiais são muitas vezes obtidos a partir de alimentos (leite, milho, vegetais vários).
Sem imagem de perfil

De M a 14.06.2021 às 21:00

É uma boa iniciativa. Mas já pensaram que o atendimento no 'talho' vai ser mais demorado, especialmente nas horas mais movimentadas. Não estou a ver os consumidores a escolher os entrecostos ou a carne picada em self-service. Também todas as actividades relacionadas com o fabrico de embalagens (quantos postos de trabalho?) vão desaparecer. As embalagens e os métodos de embalamento têm permitido a redução de intoxicações alimentares. Os consumidores vão ter que adoptar medidas de higiene e segurança alimentar em casa. Acham que toda a gente vai ter tempo e conhecimentos suficientes para tal?
Tenho a certeza que os preços dos alimentos não vão baixar com estas medidas, bem pelo contrário, assim como o tempo que vamos gastar nas compras. Para quem vai todos os dias comprar pouca quantidade/tipo é viável. Agora imaginem quem vai só uma vez por mês ao super, a quantidade de embalagens envolvidas...
Para tirar as etiquetas basta demolhar em água morna com um pouco de detergente ;-)
Imagem de perfil

De Descontos a 14.06.2021 às 21:11

Pois eu contraponho que para evitar as tais filas, surgem mais postos de trabalho, para dar "vazão".

Há uma nova economia associada ao "movimento verde". Havemos de encontrar o equilíbrio.

Estas etiquetas eram teimosas. :)
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 14.06.2021 às 22:50

A economia "verde" está associada ao uso de tecnologia cara, logo menos operadores, produtos mais caros e em menor quantidade, incompatíveis com o cenário português de baixos rendimentos, pouco investimento sustentável (maioritariamente subsidiado pela UE). As actuais gerações não têm noção da vida "sustentável" das gerações anteriores e duvido que queiram viver assim. Perguntem aos mais velhos quantos pares de sapatos e mudas de roupa possuíam, quanto custavam em relação aos rendimentos sustentáveis da época, quanto tempo gastavam a ir ao mercado, como se alimentavam, e quantas crianças sobreviviam. Qual era a esperança de vida antes de se começarem a usar embalagens para evitar contaminações e garantir a qualidade dos alimentos por mais tempo.
Não sei se sabe, mas as grandes superfícies têm dificuldade em preencher as vagas por falta de gente com formação adequada para manusear alimentos crus e congelados. E os salários são baixos pelo que essas profissões não atraem muitos jovens. Grande percentagem da economia mundial assenta em elevados níveis de consumo de grande número de seres humanos. O esforço para conseguir melhores condições de vida nos países em desenvolvimento não vai ser possível sem embalagens. E não vai ser conseguido substituindo sacos leves de materiais biodegradáveis por embalagens de plástico mais difíceis de reciclar. Parte da contaminação por plásticos (poliesters) resulta também dos processos de reciclagem e do uso desses materiais reciclados para vestuário e calçado mais baratos e acessíveis a consumidores com menor poder de compra. Não é preciso pensar muito para ver que a economia verde não vai beneficiar a maioria das populações.
Imagem de perfil

De Descontos a 14.06.2021 às 23:32

A história revela que as tecnologias inicialmente caras, se podem tornar baratas com a massificação.

Quanto ao emprego, o problema não está na falta de oferta, está nos baixos salários.

Vivemos num capitalismo que já não beneficia a maioria das populações. Não podemos apenas ver os custos em termos de preços no supermercado, há custos visíveis e invisíveis que são devastadores e que já acontecem, por causa deste nosso consumo desenfreado.

Reduzir o problema a embalagens no supermercado é fechar os olhos ao que já se está a passar em países menos desenvolvidos.

O modelo económico é predatório e tem de ser mudado. Tem de ser mudado com pressão sobre quem governa e sobre as marcas que são quem governa os que nos governam.

Exigir o uso de embalagens próprias é dar um sinal às marcas que os consumidores estão fartos de pagar embalagens, muitas vezes de ar. Há excesso de embalamento e isso são custos que nós pagamos (e que as marcas, que ficam cada vez mais ricas, nos despejam): como consumidores, como contribuintes, como cidadãos do mundo.
Sem imagem de perfil

De M a 14.06.2021 às 23:51

Neste caso os consumidores que não usam caixas de plástico vão ter que passar a comprá-las e usá-las? Segundo li as embalagens de vidro para alimentos crús ou cozinhados não são permitidas.
Há pouco tempo comecei a usar sacos de pano de algodão para frutas e vegetais mas no supermercados não os aceitam porque a pesagem é feita na caixa. Só aceitam os sacos de poliester vendidos no super que são, a meu ver, caros, pouco duráveis e nada ecológicos. Como tenho tempo para ir várias vezes por semana ao mercado e ao comércio local posso adaptar-me e evitar o uso de plásticos. Quantos consumidores podem fazer o mesmo?
Não é substituindo plástico por plástico que vamos diminuir a poluição.
Imagem de perfil

De Descontos a 15.06.2021 às 00:16

Concordo. A barreira do vidro existe, mas não tem de existir.

Eu há alguns anos que passei a usar sacos de pano e com cada vez menores entraves.
Aliás, estava hoje a pensar que no Lidl conseguia usar, antes mesmo de ser "moda".
Até hoje, nunca me exigiram os sacos da loja.

"Não é substituindo plástico por plástico que vamos diminuir a poluição." Concordo e diria mais: não é substituindo o descartável pelo descartável que vamos diminuir a poluição.
Sem imagem de perfil

De M a 15.06.2021 às 00:02

Garanto que se limitar a comprar somente alimentos não embalados vai seguramente reduzir o consumo e reduzir a despesa não alimentando esse capitalismo predatório que refere. Pode fazer essa experiência. Eu já a fiz. O tempo e energia que passei a gastar para adquirir e cozinhar os alimentos aumentou imenso e deixei de consumir uma grande variedade de alimentos. Será bom para a minha saúde? Não sei. Mas sei que se todos os consumidores fizerem o que eu faço muita gente vai ficar sem emprego, uma das facetas pouco reconhecidas do capitalismo é a garantia de muitos salários em vários níveis de produção.
Imagem de perfil

De Descontos a 15.06.2021 às 00:20

Mas seguramente não vai comer menos, certo? Nem abaixo do que é o recomendado para a sua saúde.

Está a sugerir que devemos consumir mais do que necessitamos, simplesmente para manter um modelo económico que não beneficia quem produz, mas a distribuição?

Eu não passei a comer menos (a balança cá de casa é testemunha), mas como mais fruta que bolachas e donuts, bebo água da torneira em vez de engarrafada, compro pão na padaria em vez de embalado. É tudo uma questão de "alimentar" o mercado certo.

Não tem de ser tudo ou nada. Pequenas mudanças, têm um grande potencial.
Sem imagem de perfil

De s o s a 14.06.2021 às 22:19

parece falar do futuro.

Portanto, nao será mais uma experiencia?!

E os consumidores tradicionalistas continuarao a dispor como até aqui ?
(a pergunta parece parva, mas ainda só sei que deixa de haver balcoes)
Sem imagem de perfil

De M a 14.06.2021 às 22:55

Uma experiência de moda de pouca duração pois não será para todos, só para os que a conseguirem pagar. Neste último ano tivémos uma experiência da redução drástica do consumo e dos consumidores. Quantas famílias ficaram sem rendimentos em poucas semanas?
Sem imagem de perfil

De s o s a 15.06.2021 às 00:47

quanto ´á pergunta, nao sei, vamos sabendo no turbilhao, situaçoes aflitas para quem as vive, profunda tristeza para quem as ouve
Imagem de perfil

De Descontos a 15.06.2021 às 13:00

Faço minhas, as suas palavras.
Vivo um sentimento de impotência, face a esse turbilhão.
Imagem de perfil

De Descontos a 15.06.2021 às 13:01

E até esse sentimento de impotência é de uma posição de privilégio... por não ter vivido essa perda de rendimentos.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 19.06.2021 às 11:44

As minhas compras são divididas por uma série de sítios. Embora não tenha banido completamente os sacos de plástico, reutilizo-os. Ou seja, no saco das compras tenho um "saco de sacos", daqueles transparentes. E depois tenho um saco de compras em casa e outro no carro. E ainda na carteira tenho uma pequena bolsinha com sacas. Ao ler isto podem ficar com a ideia de que é confuso, mas não é. E ao fim da segunda ou terceira utilização, fica já "rotinizado" (a palavra nem existe, mas transmite a ideia).
Foi tudo uma questão de tirar uns momentos para refletir sobre as estratégias mais úteis. E claro que tive de fazer algumas mudanças, como planear refeições e listas de compras... mas já o fazemos frequentemente. E também não me venham dizer que se o faço é porque me sobra tempo. Pode ser complicado, mas consegue-se, se for realmente um objetivo.
Para a questão das etiquetas, destinei já caixas de plástico exclusivas para as compras e nas tampas colei um rectângulo daquele plástico de plastificar livros. Assim as etiquetas saem mais facilmente.
Tenho uma situação engraçada com o continente. Eu reutilizo os sacos do peixe. E na minha zona só há uma colaboradora que implica. Todas as outras respondem bem.
Imagem de perfil

De Descontos a 20.06.2021 às 17:14

No CNT nem na padaria consegui utilizar sacos, muito menos na peixaria ou talho.

E a reutilização dos sacos de plástico tem a vantagem de serem ainda mais compactos que os de pano.

É tudo uma questão de mudar o "chip".

Comentar post



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.





Calendário

Junho 2021

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930


Comentários recentes




Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D